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A (des)valorização das mulheres em Poemas que queimam, de Ana Júlia Carvalho

Foto do escritor: Ana Julia Carvalho
Ana Julia Carvalho
8 de abr.
3 min de leitura

Você deve estar se perguntando, caro leitor, onde está sua resenha semanal, mas tive que decepcioná-lo com minha falta de postagem na semana passada, devido às muitas ocupações que tive, em decorrência de vários exames que precisei realizar e mal-estares que os sucederam. E ainda estou muito ocupada, já que habito naquele tenebroso período de avaliações universitárias, mas, irei sobreviver. 

Como forma de não deixá-lo órfão de postagens, decidi colocar aqui alguns poemas de minha autoria, que produzi rapidamente em um improviso para participar de uma competição, em um evento sobre mulheres na literatura, em decorrência do Dia da Mulher, que compareci, na Academia Mato-grossense de Letras. Eu não planejava fazer parte do tal concurso, mas quis expressar minhas composições para um público e por isso me arrisquei na criação apressada de três poemas, voltados para o tema do evento. 


Com a constante expansão do número de casos de feminicídio e crimes contra a mulher no Brasil e no mundo, principalmente nos últimos tempos, a literatura feminista tem se tornado, na visão de muitos, cada vez mais bruta, agressiva e sórdida. No entanto, esta autora acha isso necessário, pois é por meio do espanto, que as pessoas começam a enxergar a seriedade das coisas, a periculosidade e pavor que envolve a existência feminina nesse mundo. Não quero explicar muito mais, pois as mulheres estão sempre tendo de se explicar e continuam não sendo ouvidas.


No primeiro poema, abordo uma questão pessoal minha e faço analogia à questão ocorrida com as incontáveis mulheres que foram falsamente acusadas de bruxaria e executadas das mais criativas formas ao longo da história, além de uma referência bíblica e uma outra questão que deixarei para sua interpretação. 


“Ouvi dizer que falam mal de mim por aí 


Que me querem mandar para a fogueira, e eu caí 


Será que fui tão ruim assim? 


Ou foi por que arruinei seu belo jardim? 


Eu falei sim, eu fiz sim, será que sou mesmo tão ruim assim? 


Dizem que por minha causa perderam o paraíso 


Dizem que foi eu que tirei do homem o juízo 


Mas será que sou eu que te dei o prejuízo?


Nunca vamos saber, afinal, um homem sempre acusa de bruxa 

a mulher que ele quer ver arder.”


Já no segundo poema, faço uma referência ao assassinato de Bridget Cleary, ocorrido na Irlanda, no século XIX, perpetuado pelo marido da própria, em um delírio onde acreditava que sua mulher havia sido trocada por fadas, uma antiga crença irlandesa. Estou lendo um livro intitulado “A Fogueira da Bruxa”, que trata sobre o caso, e futuramente virei aqui fazer a resenha sobre.  


“Me deram ervas à força e me queimaram na lareira 


Vieram depois e ainda me chamaram de rameira 


Fiquei doente e me acusaram de ser uma fada


Por que gritam comigo se eu não fiz nada? 


Disseram que domingo eu volto, montada em um cavalo branco 


Mas como vou estar lá, se me jogaram de um barranco? 


Depois de tanto tempo, disseram que fui assassinada 


E ainda assim tem alguns que insistem que eu era fada.”


No terceiro e último, falo sobre a desvalorização da mulher em uma ótica geral.


“Alguns homens perguntam o que de importante fizemos para o mundo 


A ciência, tecnologia, literatura e quase tudo 


Bruxa, fada, pecadora, nos acusaram de muito 


Nossas mortes na fogueira, esse foi lhes o intuito  


É muito fácil vencer quando não tem com quem combater 


Nós mulheres precisamos sempre estar nos provando 


E ainda assim eles continuam nos derrubando 


Mas vamos ser sinceras, sem a gente no mundo, vocês nem existiriam, 


e ainda dizem que as mulheres em nada contribuíram.”


Sei que você talvez não possua interesse em poesia amadora, caro leitor, mas pensei, por que não? É meu blog, não é? Se eu não puder compartilhar meus escritos nem aqui, onde mais poderei fazer isso? 

Mas bem, deixo-o por aqui essa semana. Espero que tenha gostado, e se o fez, considere dar uma curtida, deixar um comentário e assinar minha correspondência por e-mail, isso me incentiva muito a continuar esse trabalho que tanto gosto de fazer. 


Adeus, Querido leitor. 


Com amor, Ana J. Carvalho.


 
 
 

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