A possibilidade constante de morrer pelo amor em Chama de Ferro, de Rebecca Yarros
Atualizado: 4 de mar.

Assim como na semana passada, caro leitor, vou cometer o pequeno delito de falar sobre dois livros em um único post. Eu li o primeiro livro desta saga, A Quarta Asa, de Rebecca Yarros, em dezembro de 2025, quando eu ainda não tinha começado este site. Porém, como eu gostei demais, fiz meu namorado comprar a sequência pra mim o mais rápido possível, porque eu não queria esquecer nada no hiato entre um livro e outro. Você provavelmente não deve estar inserido no Booktok, caro leitor, mas este livro em especial foi o grande surto da plataforma durante seu ano de lançamento, 2023, e o ano seguinte, 2024, marcando presença nos vídeos de todos os criadores de conteúdo mais populares, e dos menores, que estavam completamente abismados e obcecados com a paixão de Violet e Xaden (os personagens principais). Além do primeiro e do segundo, temos um terceiro livro, Tempestade de Ônix, lançado em 2025, e com a previsão de um quarto, para o meu horror (por mais que que goste muito da história, eu particularmente prefiro dois livros de mais de 1.000 páginas do que quatro livros menores). Ps: Na verdade eu prefiro histórias de livro único, mas essas fantasias sempre têm muitos livros. Estou presa em uma outra saga (De Sangue e Cinzas) que já tem onze livros.
O livro (A Quarta Asa) se trata de uma alta fantasia, que é uma categoria da fantasia que se passa em um mundo totalmente inventado, e não no mundo que conhecemos, como em Harry Potter, por exemplo, que é uma baixa fantasia, onde os elementos são adicionados à nossa realidade. Com cerca de quinhentas e poucas páginas, o primeiro livro conta a história de Violet Sorrengail, e como sua vida mudou completamente aos vinte anos.
Filha da General Sorrengail, uma poderosa cavaleira de dragão, e de um reconhecido, e falecido, escriba, Violet sempre foi um zero à esquerda. Devido à uma doença que sua mãe teve durante sua gestação, ela nasceu com um corpo muito frágil, com membros que facilmente e frequentemente se rompem, além de uma peculiaridade em seus cabelos, que faz com que do castanho das raízes, eles se transformem em fios prateados nas pontas. Ela é mais excluída ainda pela grandeza de seus familiares, sendo sua mãe uma mulher conhecida pelo poder e rigidez, sua irmã uma cavaleira imbatível e seu irmão um cavaleiro conhecido pelo forte poder de regeneração, até ser morto na rebelião týrrica. Na história, temos um continente dividido em duas nações inimigas, o reino de Navarre, a terra dos dragões, de onde Violet vem e o reino de Poromiel, a nação dos paladinos de grifos. E há apenas alguns anos, revoltados com as regras que governavam o reino, a província de Týrrendor fez uma rebelião, mas foi vencida pela força militar ao comando do rei (que parece pouco presente em seu próprio reino). Tais traidores foram executados por tal, e seus filhos foram marcados, para que todos soubessem que se tratavam dos filhos dos traidores da nação, além de terem sido obrigados a se alistar como cavaleiros de dragão, para morrer ou lutar por seu reino, provando a quem devem sua lealdade.
Treinada a vida toda para se tornar escriba, como seu pai, Violet não esperava que quando fizesse vinte anos, sua mãe a obrigaria a se alistar como cavaleira, o que, apesar de ser um honra, é o jeito mais fácil de morrer nesse mundo. O treinamento de cavaleiros, no Instituto Militar de Basgiath, é especificamente feito para que só os melhores sobrevivam, então tudo lá, desde os desafios, as atividades e os outros cadetes, irá tentar matar você. Apesar de estar totalmente desgostosa com a ordem, Violet acata. Suas expectativas de tranquilidade vão embora desde o início, quando logo de cara, antes do parapeito, (uma longa e estreita coluna vertical que deve ser atravessada ou morrer na queda) ela encontra Xaden Riorson (um forte controlador de sombras e o homem mais lindo que ela já viu na vida), o filho do Duque Riorson, o líder da rebelião, e a pessoa que mais deve querer a morte dela, por sua mãe ser quem ordenou a execução de todos os rebeldes. Em geral, as pessoas sempre querem a morte dela, em vingança contra a mãe ou para que ela não tenha privilégios (que não existem).
Enfim, Violet passa o parapeito, Violet se quebra toda, tem um cara definitivamente vil que está sempre tentando matar a Violet (é um círculo vicioso), e assim vai. Apesar de fazer amigos, é muito difícil (no sentido de triste) se apegar às pessoas nesse livro, porque elas provavelmente vão morrer em algum momento. No instituto, Violet reencontra seu amigo de infância, agora um segundanista (são três anos de formação), Dain Aetos, que possui um raro sinete secreto (ler mentes quando toca nas pessoas). Os sinetes são um poder específico que o cavaleiro manifesta após ter se unido à um dragão. E apesar de nutrir uma paixão de anos por ele, Violet se enraivece do mesmo estar sempre tentando tirar ela do instituto, para evitar sua morte. Apesar de ela não querer estar lá, isso é como um soco na cara que diz que ela não vai conseguir sobreviver.
Durante o livro, vemos as duras experiências pelas quais Violet tem que passar, e elas são realmente muito complicadas, outras pessoas já teriam desistido ou morrido no lugar dela, mas se tem uma coisa que ela tem mais que qualquer um, é determinação. Enquanto treina e participa de suas aulas, vemos não só as amizades dela crescerem, como também a atração extremamente perigosa e inegável que ela possui por Xaden. E quando a Ceifa chega (o evento onde você ou se une à um dragão ou morre tentando, já que eles são criaturas que se consideram superiores e são em geral muito arrogantes), surpreendendo todo mundo e depois de sobreviver a uma tentativa de asassinato por outros cadetes, ela consegue se unir não só a Tairn, o dragão mais forte entre os disponíveis no ano (e o segundo mais forte do continente), como também a Andarna, uma rabo-de-pena dourada (dragões rabo-de-pena são extremamente raros e ninguém avista um há séculos), tornando-se a primeira cavaleira a se unir com dois dragões. Isso coloca um alvo maior em suas costas, pois para os poucos sortudos, ou azarados, que sobreviveram a Ceifa sem um dragão, ela está ocupando o lugar de dois outros cavaleiros que podem se unir aos seus dragões se ela morrer. É importante ressaltar que se o cavaleiro morre, é possível que o dragão morra também, mas se o dragão morrer, o cavaleiro morre poucos minutos depois.
Tem outra questão especial que deixa as coisas ainda mais interessantes, que é o fato de que Tairn, o grande e poderoso dragão preto de Violet, ter uma consorte, uma dragão azul magnificamente forte e poderosa, chamada Sgaeyl; que por um acaso, é unida a Xaden Riorson. A ligação que une os dragões se mistura com a que os une com seus cavaleiros, e por isso, os quatro acabam interligados, fazendo com que possam sentir os sentimentos uns dos outros, conversar pela mente e acima de tudo, se qualquer um dos quatro morrer, provavelmente todos os outros três morrem. E essa é a desculpa para Xaden começar a passar tanto tempo com Violet, zelar pela vida dela, treiná-la para batalha e até designar um de seus amigos mais próximos, Liam, um outro marcado, para ser o guardião pessoal dela (apesar de ela protestar muito contra isso).
No começo dos Jogos de Guerra, depois de Liam quase ser assassinado pelo cadete que sempre persegue Violet, no auge de sua fúria, ela manifesta seu sinete, revelando-se como uma Dominadora de raios, um sinete muito raro e forte (e por meio de um raio, desmorona uma montanha em cima de seu inimigo). A esse ponto, apesar das muitas complicações, segredos e desconfianças, Violet e Xaden se entregam a uma relação carnal onde eles insistem em negar que possuem sentimentos um pelo outro mas que é tão claro quanto a luz do dia que eles existem. E quando eles finalmente se declaram e ficam todos carinhosos e cuidadosos um com o outro, uma bomba cai no meio deles. Com a final dos Jogos de Guerra, e devido a uma pequena traição de Dain para com Violet, o grupo deles é mandado para um posto do vigia como parte da atividade. Mas no caminho, Violet descobre que Xaden é realmente um traidor, por motivos que ela jamais imaginaria, e que ele está trabalhando com o inimigo. E ao chegar no posto designado, eles descobrem que foram enganados, que um superior descobriu que os marcados estavam tramando algo e os mandou lá para morrer. Quase imediatamente, a cidade ao lado do posto começa a ser atacada por criaturas que Violet acreditava só existir em lendas, e juntos, cavaleiros e paladinos precisam lutar para salvar civis indefesos. Após uma batalha muito difícil, alguns de seus companheiros morrem, mas no final, eles sobrevivem enquanto os monstros recuam. E deixada quase a beira da morte, Violet passa dias desacordada, e quando desperta, descobre estar em um lugar que imaginava não mais existir e com uma pessoa que deveria estar morta.
Esse é o primeiro livro. É muito difícil resumir e ainda assim não dar spoilers absurdos, já que tudo acontece muito rápido e uma quantidade imensa de coisas se sucedem na história. Mas é fantástico, me senti absolutamente presa, necessitando mais de Xaden e Violet e o amor que literalmente está no ar (piadinha de cavaleiro de dragão) entre eles. E então chegamos no livro que é o foco desta matéria, Chama de Ferro. Este se trata de um livro bem maior, com 780 páginas e acontecimentos para dar e vender.
Já no começo, partimos quase exatamente do mesmo ponto em que o outro livro terminou, com Violet em Aretia, a capital de Týrrendor, que foi queimada após a rebelião, mas reconstruída pelos novos rebeldes. E enquanto olha para seu irmão, Brennan, que devia estar morto há seis anos, ela pensa no que sua vida se transformou em tão pouco tempo. Ela precisa lidar com a morte de Liam, seu amigo e protetor, com o término com Xaden, por não confiar mais nele depois de tudo que o mesmo estava escondendo, com a descoberta de Aretia e a rebelião,com a existência de monstros míticos e com a volta de seu irmão que está totalmente vivo e bem.
Após um tempo passado em Aretia, entendendo melhor a causa e a necessidade de uma revolução, devido aos muitos segredos que Navarre tem contado para seus súditos, enganando-os e deixando que milhares de inocentes morram em favor de uma falsa ordem, Violet entende que sim, ela precisa fazer parte disso. É muito triste ver ela se afastar de Xaden e não conseguir lidar com as coisas que ele escondeu, apesar de ele ser responsável por todas aquelas pessoas, e ser perfeitamente plausível que ele estivesse escondendo tais coisas.
Decididos a revidar, de certa forma, os cadetes voltam à Basgiath, apesar de, após dias desaparecidos, já terem sido considerados como mortos. Fingindo não saberem o motivo de serem mandados para o posto de vigia onde travaram a batalha do livro anterior, o grupo consegue que o superior que os mandou para lá, seja afastado, pois o mesmo não pode revelar o que sabe sem se queimar no processo. No entanto, um homem pior entra no lugar dele, para a infelicidade deles. Um sádico, completamente sem escrúpulos, para quem os fins justificam os meios, e que fará de tudo para descobrir o que eles tramam. E de certa forma a perseguição já começa quando Violet e Xaden são literalmente separados, pois ele se formou no terceiro ano, e agora vai servir como tenente em alguma base, e Violet começa seu segundo ano como cadete. Mandam-no para o posto mais longe e perigoso possível, para dificultar que eles se vejam, pois, como seus dragões são consortes, ambos não podem ficar muito tempo longe um do outro, já que isso causa a morte de ambos, e a permissão dada à eles, permite apenas que um viaje para ver o outro a cada final de semana, de maneira alternada. Os dragões haviam, até agora, passado apenas três dias separados um do outro, e seria até difícil imaginar o que os sete dias semanais de separação irão causar neles.
Por um bom tempo, as coisas ficam meio monôtonas. Violet vive sua vida de cadete, sem poder contar para seus amigos as coisas que sabe, se afastando cada vez mais deles, não voltando seu relacionamento com Xaden, apesar de ele mostrar seu amor por ela em tudo que faz, porque não confia nele por ele não poder contar tudo o que sabe (o que, novamente, é totalmente plausível já que o ex-melhor amigo dela consegue ler mentes e pode roubar as coisas que ela sabe, e por isso é melhor que ela não saiba tudo, mas ela só considera isso como falta de confiança nela). E o vice-comandante Varrish, o demônio encarnado, persegue ela de todas as maneiras que pode, seja revistando sua bolsa antes de ela viajar para ver Xaden, punindo-a a usar seu poderes até quase morrer porque seu segundo dragão, Andarna, não se apresenta para treinamento (porque ela está hibernando para passar pelo período da adolescência), fazendo com que ela esteja ocupada para que perca as visitas à consorte de seu dragão, ou torturando-a mais do que o necessário nas aulas que promovem resistência à captura.
Em certo momento, ela acaba contando algumas coisas para seus amigos, sobre as mentiras do império, e pede ajuda em um plano que está traçando há algum tempo. Quando estava em Aretia, Violet descobriu que lá existe uma pedra de Égide desativada, que se pudesse ser imbuída com poder, poderia erguer uma nova barreira de proteção contra os monstros que estão tomando as cidades de Poromiel, o reino vizinho, pois a proteção da pedra que existe e opera em Basgiath não chega até as cidades fronteiriças ou até Týrrendor. Após a execução de seu plano, eles conseguem pegar os diários de dois dos seis cavaleiros que ergueram as pedras originalmente, onde provavelmente explicam como fizeram. Violet fica com um deles e entrega o outro para ser levado para Brennan, seu irmão, em Aretia. E assim que Xaden vai embora para voltar ao posto, capturam ela, envenenando-a para cortar temporariamente a conexão com seus dragões e torturam-na por dias, curando ela de tempos em tempos para depois ser torturada novamente. Ela chega em um estado tão deplorável que passa a ver o fantasma de Liam fazendo-lhe companhia. E quase uma semana depois, quando chamam Dain para extrair as informações que ela não revelou por meio da tortura, ele vê, mas confia nela e esfaqueia Varrish. Nesse momento, todos os oficiais são chamados para as fronteiras, pois várias carcaças de monstros estão sendo jogadas no chão, podendo revelar para a população que eles existem, e precisam ser escondidas o mais rápido possível. Quando vão se retirar, Xaden aparece, no estilo dele, matando todo mundo, para resgatar ela. Eles se declaram e finalmente voltam a estar juntos (esperei tanto por isso). E daí as coisas andam de maneira muito mais frenética. Expondo a realidade para os cadetes, eles levam para Aretia todos aqueles que decidem lutar pelo bem maior, entre alunos e professores. Quando chegam lá, recebem ainda mais pessoas, entre os tenentes já formados que ficaram sabendo do caso, com Myra, a irmã de Violet, no meio.
Após uma viagem de negociações com o herdeiro do trono de Poromiel, e a interação com a ex recalcada de Xaden, eles levam os paladinos e seus grifos para se juntarem à revolução. Depois da primeira tentativa falha, conseguem erguer as égides, mas constatam que elas são fracas. E depois de inúmeras questões menores, os acontecimentos culminam em uma batalha em Basgiath, contra os monstros, que enganaram as forças armadas do reino, fazendo com que a maioria dos cavaleiros fossem para um posto em Samara, a dias de distância. Então, a batalha final acaba sendo lutada pelos poucos cadetes que sobraram no instituto e pelos rebeldes que decidiram vir para ajudar, porque são muito melhores do que aqueles no poder. Com um golpe inesperado, a pedra das égides é derrubada, tornando-os totalmente vulneráveis, e uma batalha com números totalmente diferentes se inicia, em uma desvantagem absoluta. Com muito esforço, Violet consegue reerguer as proteções, e o que resta do exército inimigo bate em retirada, mas a vitória custa vidas demais, incluindo uma que a dilacera. E não só vidas, como custa a existência que Xaden antes conhecia.
Eu sei, eu sei, é uma explicação muito vaga, mas você precisa ler se quiser saber mais, caro leitor. Juro que não irá se arrepender. E já estão produzindo uma série que irá adaptar os livros, dirigida por Michael B. Jordan, ator principal do filme Pecadores. Eu tenho um pouco de medo de adaptações, e espero que não façam bagunça com essa, pois tenho expectativas muito altas.
Enfim, como tive que resumir bastante, por se tratarem de umas 1.300 páginas juntando os dois livros, não pude falar detalhadamente sobre o amor de Violet e Xaden, mas acredite, caro leitor, quando digo se tratar de algo avassalador. Além da questão literal de, se um morrer, o outro morre, também existe a questão de “se você morrer, eu também morro, pois não há vida pra mim sem você”. E como eu já disse, a morte é sempre uma constante nessa história. Tudo é muito perigoso e muito grave, e a morte caminha lado a lado com cavaleiros de dragão. E quando se tem ainda uma conexão, onde pode-se sentir os sentimentos um do outro, conversar por meio do pensamento, tudo se intensifica ainda mais, e todos os momentos podem ser os últimos, e por isso eles amam, com todo o corpo, ser e alma, porque pelo amor vale a pena morrer, assim como vale a pena lutar para viver e para proteger aquele que se ama. Por isso, caro leitor, apesar de ser difícil reproduzir esses amores tão arrebatadores da literatura, como de Xaden e Violet, ou mais propriamente como Romeu e Julieta, eu digo, ame, com tudo o que você tem. Vale a pena.
E com isso, ficamos por aqui. Quando eu comprar o próximo livro e lê-lo, venho aqui para lhe mostrar a continuação. Mas por enquanto, fique com as outras resenhas que farei, caro leitor. Volte semana que vem e nas próximas, pois posto conteúdo sempre, de diferentes gêneros. Se gostou desse post, dê uma curtida, faça um comentário, assine minha correspondência para ser avisado quando sair postagem nova. Isso me incentiva muito a continuar fazendo esse trabalho.
Adeus, Querido leitor.
Com amor, Ana J. Carvalho.



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