O poder da amizade, em O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo, de Charlie Mackesy

É muito normal que nós, adultos, acreditemos que somos grandes demais para certas coisas, selando, assim, o distanciamento de nossas infâncias. No entanto, eu acredito, Caro leitor, que esse é um dos maiores erros que podemos cometer. A infância não é apenas um período onde somos diminutos e estamos crescendo, mas também é o momento onde tudo é possível. Somos tão pequenos para o imenso mundo que nos cerca e tudo é novo, interessante, e a magia parece correr solta por aí. Quando crescemos, temos (em sua maioria) o péssimo costume de deixar tudo isso para trás, fechando nossa imaginação como se usássemos um cabresto.
Este não é um livro para crianças (ou será que é?), tão pouco é um livro para adultos. Na verdade, esta pequena obra, permeada por ilustrações, é para seres humanos que valorizam a vida, e que enxergam que, assim como disse Antoine Saint Exupéry, em O Pequeno Príncipe, “O essencial é invisível aos olhos”.
Caso, como um adulto típico, imagine-se muito ocupado para “perder” tempo lendo livros, saiba que esta é uma obra inteiramente ilustrada, com pouquíssimas frases por folha (não leva nem meia hora de leitura), além de possuir uma estrutura que permite que se começe a leitura de qualquer página, sem perder informações, e está disponível gratuitamente na internet. Também há um curta muito emocionante, também feito pelo autor da obra, que possui uma lindíssima animação. Foi muito premiada e está disponível para assistir no Prime Video.
Publicado em 2022, pelo autor Charlie Mackesy, “O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo” não tem a intenção de ser feito apenas de palavras. O autor, que não é muito chegado à leitura, se expressa melhor por meio de desenhos, e juntando os dois, ele formulou uma obra que deve tocar o coração dos leitores, mostrando como devem apreciar a vida, aqueles que encontramos no caminho e as pequenas coisas que nos cercam.
Tudo começa com o menino. Ele está tentando encontrar sua casa, seja lá onde ela é. Nessa busca, ele conhece a toupeira. Ela é muito falante e tem inúmeras lições para passar para o menino perdido, que entende tão pouco da vida. Ela também gosta muito de comer, e acredita que tudo pode ter solução em um suculento pedaço de bolo. Juntos, eles exploram diferentes lugares, refletindo mais sobre o mundo e sobre eles próprios. Então, eles encontram a raposa. Ela está presa, sozinha, no meio do frio. É uma ameaça para a toupeira, mas em vez de temê-la, ela prefere ajudá-la, e é retribuída pela raposa, futuramente. A raposa é sempre silenciosa, tem medo de dizer a coisa errada e perder suas amizades recém-conquistadas. Mas, anda sempre com eles por aí, até carrega-os se necessário, mostrando, sem palavras, seus sentimentos em relação aos outros. Por fim, eles encontram o cavalo. Apesar de ser muito grande, ele possui o coração mais gentil que existe. Ele lhes fala sobre valorização, empatia e sobre sonhar, porque se deve perseguir os sonhos.
Estando todos finalmente juntos, eles aprendem e ensinam coisas uns pros outros, entendendo juntos tudo o que passaram a significar na vida de cada um e como querem para sempre estar juntos, presencialmente ou dentro de seus corações.
O modo como o livro é tão reflexivo e possui tantas frases extremamente profundas, me lembrou muito de “O Pequeno Príncipe”, como citado anteriormente, mas a relação entre o menino e os animais, percorrendo paisagens tão idílicas, construindo uma linda amizade, me lembrou muito da sensação que tinha ao assistir à Christopher Robin e a turma do Ursinho Pooh, quando criança.
Mas apenas falar sobre não vai fazê-lo entender as lições lá ensinadas, por isso reforço, por favor, Caro leitor, pare um pouco. Leia o livro. Assista ao curta. Deixe-se descansar por um momento. Lembre-se dos reais significados que nossa jornada nesta vida carrega. Assim, talvez, você possa olhá-la de novas maneiras.
Me despeço por aqui, amigo, se posso chamá-lo assim. Se gostou deste post, deixe uma curtida e um comentário, isso me incentiva muito a continuar esse trabalho. Se inscreva na minha correspondência, assim poderá ser avisado sempre que eu fizer um post novo. E valorize aqueles que o cercam, ou pode descobrir tarde demais o quanto eles lhe eram queridos.
Adeus, Querido leitor.
Com amor, A. J. Carvalho.



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