A incapacidade de não se apaixonar pelo Diabo, em Reino das Bruxas: Natureza Sombria de Kerri Maniscalco
- Ana Julia Carvalho
- há 4 horas
- 7 min de leitura
Para evitar sua confusão, caro leitor, terei que fazer duas resenhas nesta matéria, já que o livro do qual vim falar é o número dois de uma trilogia. Eu sei, eu deveria fazer duas resenhas separadamente. No entanto, eu li o primeiro livro da sequência em 2023, por isso não tenho mais os detalhes na mente, e não possuo o costume de reler meus livros. (Só meu favorito, que eu já li algumas vezes). Gostaria de dizer que isso não irá se repetir, mas provavelmente a resenha da semana que vem também tratará de um segundo livro, e aí eu explicarei o primeiro para que se possa entender tudo.
A trilogia de Reino das Bruxas, escrita por Kerri Maniscalco, conta com os títulos Irmandade Mística, publicado em 2020, seguido por Natureza Sombria, de 2021 e finaliza com Poder Arcano, de 2022. Publicada no Brasil pela Darkside Books, a trilogia conta com edições muito elegantes, que contém o mapa do inferno na parte de dentro da capa (mapas são muito comuns em livros de fantasia).
No primeiro livro, Reino das Bruxas: Irmandade Mística, o enredo se passa em Palermo, na Itália, no século XIX. Trata de nossa protagonista, Emília Maria di Carlo, e de sua irmã gêmea Vittoria, integrantes de uma tradicional família de bruxas italiana que possui uma trattoria (um restaurante). Na época em que vivem, as bruxas são caçadas no país, e por isso é necessário que elas escondam sua verdadeira natureza. Ainda mais devido à paixão que Emília nutre por seu amigo de infância, Antônio, que decidiu, com a maioridade, dedicar sua vida para a fraternidade cristã, que com certeza a condenaria se de sua família soubessem.
Ensinadas por sua Nonna (avó), as moças foram instruídas a sempre evitar a magia das trevas, que corrompe o ser, e acima de tudo a fugir dos Perversos, os sete príncipes demoníacos que representam os sete pecados capitais e que regem o inferno. Eles rondam por aí para roubar sua alma, beber seu sangue e fazer tudo de ruim que puderem.
Quando bruxas em toda cidade começam a aparecer mortas, o nervosismo se espalha pela família di Carlo, e principalmente para Emília, que deseja encontrar uma resposta para os acontecimentos. No entanto, é apenas quando, em uma noite, seguindo pistas até o santuário cristão, Emília encontra sua irmã Vittoria morta, com o coração arrancado, que os sentimentos finalmente eclodem. Dominada pela fúria, ela decide invocar um demônio para que, por meio de um acordo, este possa ajudá-la a descobrir o que ou quem matou sua irmã. Mas devido a total inexperiência no assunto, em vez de invocar um demônio comum, Emília acaba invocando um dos Perversos, o temível Príncipe da Ira. Apesar de estar totalmente descontente, o demônio é obrigado a aceitar, pois a bruxa os entrelaça em uma ligação que não permite que ele a machuque e nem que minta para ela. E assim começa a parceria mais inconveniente da história, onde juntos eles seguem o rastro dos assassinatos, chegando à demônios pequenos, outros Perversos “coincidentemente” circulando por Palermo e até humanos extremistas querendo expurgar o mal da terra.
O Diabo, que é o Príncipe da Soberba, parece sofrer de uma maldição que afeta à todos no plano terreno, e com a falta de uma relíquia, que seriam seus próprios chifres, os portões do inferno não estão se fechando por completo, e muitas criaturas têm escapado e espalhado o caos pela terra.
Lutando contra o luto sufocante por sua irmã e a inegável atração existente entre os dois, Emília também precisa lidar com a destruição de muitos conceitos e certezas que ela achava ter. Quando eles finalmente parecem encontrar o assassino, outras descobertas colocam isso em perspectiva, e ela percebe que o problema é muito maior do que aparentava. Ao final do livro, Ira revela suas intenções de usá-la para quebrar a maldição do Diabo, coisa que irá libertar ele próprio das restrições que tem sofrido. Como um tipo de mensageiro, ele declara a proposta de casamento que o Príncipe da Soberba fez para ela (visando quebrar sua maldição), que apesar de temê-lo, aceita, acreditando que apenas assim descobrirá a verdade sobre o assassinato de Vittoria.
O segundo livro, Natureza Sombria, começa exatamente do mesmo ponto no qual o anterior parou. Ira transporta Emília para o inferno, fechando os portões definitivamente, após ter recuperado o Chifre do Diabo, e eles passam por uma longa e tortuosa caminhada, para chegar à corte de Soberba. Ela insiste que poderia simplesmente ser teletransportada para lá, mas ela não pode, porque é necessário que todos aqueles que adentram o plano inferior passem pela provação e sobrevivam ao Corredor dos Pecados, que testa todos os anseios mais profundos de sua alma. Apesar de Emília, e a humanidade em geral, acreditar que o inferno seria feito de fogo e enxofre, ele na verdade se tratava de um grande bioma invernal. Devido a tamanha distância a ser transposta a pé, em meio ao frio fustigante, Ira faz uma parada em seu próprio castelo, levando-a antes que a mesma morra de hipotermia (ela já estava quase encontrando sua criadora). Após salvá-la, é dito que será necessário esperar até que seja permitida a entrada deles no território de Soberba, pois nenhum príncipe ou habitante de tal casa real pode entrar nas terras de outro sem a permissão expressa. Mal humorada e confinada com alguém que ela acredita não poder confiar, guerreando contra os sentimentos que teimosamente insistem em se desenvolver por ele (ele faz tudo por ela e trata ela como se fosse o céu e a lua pra ele), Emília entra em uma jornada de pesquisa, tentando descobrir mais sobre seus poderes, que sabe tão pouco, e mais sobre a dinâmica do inferno e o que pode ser útil para solucionar a morte de sua irmã.
Em uma de suas escapadas físicas com Ira, ela acaba descobrindo que apesar de ter assinado o contrato prometendo se casar com Soberba, o laço que ela fez, sem querer, com Ira, atando-os como noivos, não foi rompido, apesar dela ter acreditado que sim. E agora, é necessário que ela escolha se irá ou não finalizar essa união, casando-se com ele. Mas até se ela não aceitar o matrimônio, irá continuar eternamente entrelaçada ao demônio. Mais revoltada ainda (ela em geral combina muito com o pecado da ira), ela visita a casa de Inveja, pretendendo conversar com todos os príncipes até descobrir algo. Lá, ela descobre sobre a existência de certos artefatos mágicos que podem ajudá-la, mas que são considerados lendas, além de mitos onde se pede ajuda à deusas. Roubando um desses artefatos do palácio de Inveja, ela volta para a Casa Ira, onde começa a ser treinada para o combate (para poder se proteger de possíveis ameaças) pelo assistente e braço direito de Ira, o mortal Anir.
Como sua chegada ao inferno é o único assunto na boca dos habitantes, Emília é colocada como a convidada de honra do Banquete do Lobo (mais conhecido como Lupercália), o que significa que ela terá que fazer algum tipo de sacrifício, apenas para entreter os convidados. O anfitrião será Gula, e todos os tipos de excesso são esperados.
Durante os dias do evento, Emília passa pelo escrutínio de todos, enquanto conspira para conquistar suas tão desejadas informações. Durante uma caçada, ela se afasta tanto que acaba adentrando o território de outro Perverso, e é feita de prisioneira e ameaçada de morte, até ser liberada horas depois. Consegue desviar de cumprir o sacrifício necessário, por meio de uma negociação feita por Ira, droga-o para poder fugir rapidamente, e se direciona à um espaço, fora de todos os territórios reais, onde encontra o local do mito contado por Inveja, e faz um acordo com a Deusa Anciã, para obter certas informações. Quando volta para o castelo de Ira, que já retornou do evento, e se sente
traído por ter sido enganado, ela o confronta em relação à verdade do que ele é. A descoberta abala novamente tudo aquilo que ela imaginava saber, mas colocando isso de lado, e sendo orientada por Celestia, a matrona da feitiçaria do castelo, Emília vai até o corredor dos pecados. Lá, ela encontra as tais divindades que procurava, juntando os objetos mágicos, e com isso descobrindo algo que, agora sim, a horroriza e muda tudo que a rodeava. No fim, Emília finalmente descobre que errou em tudo que sabia sobre sua irmã e o que aconteceu com ela, e decide tomar a decisão que tanto permeava seus pensamentos e sentimentos.
Eu sei que fui bem mais vaga desta vez, caro leitor, mas a intenção é não revelar tudo pra você de mão beijada, e fazer com que desenvolva o interesse pela obra. Eu não lembrava que tinha gostado tanto do primeiro até ler o segundo, e agora necessito ler o terceiro logo. Acredito que dependendo das suas crenças, você pode acabar não gostando dos assuntos tratados, mas considere isso apenas uma história e permita-se ver além, sem limitações. Ao final, é uma história muito bem escrita, com um enredo muito fluido e personagens com os quais se apaixonar. O Ira mesmo, apesar de ser um demônio e coisa e tal, além de ser charmoso e sedutor, é um homem justo e honrado, que sabe suas prioridades e princípios e que está disposto a fazer tudo por aquela que parece ter despertado seu coração. Realmente se trata de um amor encontrado só na literatura.
Na verdade, não que seja relevante, mas meu assunto preferido na literatura é a bruxaria. Eu ia fazer meu TCC sobre isso, mas preferi jogar o tema para o meu projeto de mestrado. Estou sempre buscando por mais lirvos bons sobre tema.
Enfim, espero que tenha gostado, caro leitor, e que volte para ver o final da trilogia, quando eu terminar. Curta o post, faça um comentário e assine minha correspondência. Isso me incentiva muito a continuar. Espero que tenha uma ótima semana e que tenha aproveitado bem o Carnaval.
Adeus, Querido leitor.
Com amor, Ana J. Carvalho.




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