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As predeterminações inquestionáveis do destino, em A Senhora da Magia de Marion Z. Bradley.

  • Foto do escritor: Ana Julia Carvalho
    Ana Julia Carvalho
  • 4 de fev.
  • 15 min de leitura

Você conhece a lenda do Rei Artur, caro leitor? Eu espero que sim, afinal, é uma das histórias mais populares do mundo. E uma coisa muito interessante da lenda em questão é que ela não possui um autor exato. Ela é uma mistura de inúmeras autorias que culminaram na lenda que se tornou o que conhecemos hoje. Tem origem celta, criada no País de Gales, habitado pelos refugiados originários da Grã-Bretanha, após as invasões dos anglo-saxões (que vieram da atual Alemanha). Mais tarde, estes fundaram a Inglaterra. 

A lenda começou como a maioria das velhas histórias, pela tradição oral, e por isso não é fácil rastrear seu exato lugar ou período de origem, e mais difícil ainda achar quem teve a ideia que a originou. Mas foi no século IX que o nome de Artur foi citado pela primeira vez em um livro escrito, como um guerreiro, na obra História Britânica, escrita pelo monge Nennius. E foi no século XXII que ele foi transformado rei, por Geoffrey de Monmouth, em A História dos Reis Bretões, onde a lenda começou a tomar forma. Posteriormente foram se adicionando cada vez mais detalhes, como que a espada Excalibur foi tirada da pedra e não dada pela Dama do Lago, cumprindo a profecia e tornando Artur o rei, ou o caso entre Guinevere e Lancelot, e coisas do tipo. Entretanto, nesta resenha vamos tratar do primeiro livro da trilogia “As Brumas de Avalon", escrita por Marion Zimmer Bradley, sendo ele “A Senhora da Magia", seguido por “A Grande Rainha” e “O Gamo-Rei". Publicada em 1988, a trilogia trouxe pela primeira vez a lenda arturiana pela visão das mulheres que o cercavam, que possuíam papéis essenciais para o enredo e que nunca foram devidamente valorizadas pelos tantos escritores homens que moldaram a história. 


Apesar do primeiro livro conter apenas 260 páginas (na minha edição pela Editora Planeta), coisas demais se sucedem, portanto, falarei dos arcos narrativos, e não de cada ato em si. Senão, ficaremos aqui falando durante dias. 


Já no começo temos um prólogo que eu acho muito interessante, narrado pela própria Morgana, contando pontos fundamentais da história, sobre todo o conflito religioso entre o cristianismo e a antiga religião da Deusa Mãe, sobre o que aconteceu com a Ilha de Avalon, e que ela se tornou, devidamente, aquela que chamam Morgana, a fada. 

Ela nos explica que o tudo aquilo que é dito no livro, é contado por ela mesma, que apesar de nem ter nascido em alguns momentos, e não estar presente em outros, viu as coisas que aconteceram por meio de sua Visão, e agora as narra para nós através dos olhos de outras mulheres. 


Começou com Igraine. Ela não é o começo de tudo, pois até seu nascimento foi um movimento planejado do destino, mas é o começo de nossa história. Ela nasceu na ilha mágica de Avalon, filha da antiga Dama do Lago e Senhora de Avalon (a Ilha Sagrada), que foi sucedida por sua filha mais velha, e meia-irmã de Igraine, Viviane. Quando ainda tinha apenas quinze anos, foi mandada pela irmã para morar em Tintagel, o castelo, e se casar com Gorlois, o Duque da Cornualha. Com o avanço do cristianismo e o crescente desprezo pela antiga fé na Deusa, era necessário criar vínculos entre os mundos, e esse fardo caiu sobre o colo de Igraine, já que uma sacerdotisa entregue à Deusa como Viviane jamais poderia se casar, e devido ao fato de, diferente de Viviane, Igraine ser jovem, alta, ruiva e esbelta. Exilada de sua terra natal, sem conhecimentos do mundo exterior e dos deveres matrimoniais, Igraine vive com horror o primeiro ano de sua união. No entanto, agora ela tem dezenove anos, e sua filha, Morgana, já conta com 3 anos. Apesar de não amar seu marido, e recorrentemente conviver com o tédio da frieza de Tintagel, com a ausência frequente de Gorlois que costuma passar longos períodos acompanhando o Grande Rei da Bretanha em suas guerras contra os invasores saxões, ela ainda assim é grata à ele. Apesar de querer um herdeiro homem, ele permitiu que ela ficasse com Morgana, e que a amamentasse pelo tempo necessário, evitando a morte ainda na infância, que era muito comum na época. Além de, quando está presente, fazer de tudo para agradá-la e tratá-la bem (o que sabemos que na época em questão já era muito). Ela também tem a companhia de sua outra irmã, de treze anos, Morgause, que foi mandada há poucos anos de Avalon para viver com Igraine. 

Apesar de não ter o suficiente para se tornar uma sacerdotisa da Deusa, Igraine tinha um pouco da Visão, que ela já não usava há tempos, mas foi por meio dela que soube que sua irmã estava vindo para Tintagel. Ordenando os preparativos, pouco tempo depois ela recebe Viviane, imponente em seu poder, apesar de ser uma mulher muito baixa, de quase quarenta anos, cabelos negros e feições pouco atraentes, juntamente de Taliesin, o Merlin da Bretanha. Eles vieram para dar uma nova missão à Igraine. Devido a cristianização crescente e a perda da fé na Deusa, a Ilha Sagrada de Avalon está começando a se recolher para dentro das brumas que a cercam, impossibilitando que a maioria do povo chegue lá, trilhando um caminho para se separar do mundo e existir em um lugar diferente. Ela está se sobrepondo à Ilha dos Padres (uma ilha sagrada cristã), fazendo com que as duas, de certa forma, existam uma em cima da outra, em dimensões diferentes, e se continuar assim, mesmo os que quiserem ir para Avalon, vão achar apenas a ilha cristã, portanto é necessário que a Bretanha não segregue a antiga fé, para evitar o isolamento da ilha mágica e a retirada da magia do mundo. Então, por meio da Visão, Viviane viu o que deveria ser feito. É necessário que um Grande Rei nasça, mas um que provenha tanto da Bretanha quanto de Avalon, unindo os mundos e as fés, e este rei está destinado a ser seguido por todos os povos, e de certa forma, salvar a terra deles. Como filha da Deusa, pois sua mãe, a Grande Sacerdotisa, à estava incorporando quando a gerou, e do Merlin da Bretanha, Igraine é o receptáculo perfeito para gerar o salvador. No entanto, este não será filho de seu atual marido. O homem escolhido para ser o genitor do Grande Rei é Uther Pendragon, o Duque da Guerra, que comanda os exércitos do atual Grande Rei, Ambrósio Aureliano, que o tem como um filho. Ele é um bretão puro, o que é necessário (entre outras coisas) para gerar o homem da profecia. O atual soberano está morrendo, e um novo deve ser escolhido, levando em conta a opinião do anterior, que claramente será Uther. Mas desta vez, Igraine não é mais uma criança influenciável. Ela não quer mais ser um peão das decisões de Vivianne, e não quer abrir mão de seu casamento, no qual se acomodou, para gerar um filho de um estranho. Resoluta, ela se nega, mas Viviane diz que ela não deve colocar seus desejos egoístas acima da salvação de todos, e que ela deve achar um meio de convencer Gorlois de levá-la junto na próxima reunião do conselho, para que ela possa conhecer o pai de seu filho e arrebatá-lo. Morgause se voluntaria para cumprir a missão, pois apesar de sua tenra idade, ela cobiça o poder acima de tudo, mas este não é o destino dela, e é consolada com a promessa de que há outro rei e muitos filhos em seu futuro (Pra ser sincera, ela é uma vadiazinha, juro).

Tentam tranquilizá-la contando que não será necessário o adultério e a desonra, pois Gorlois não está no futuro, e não será Uther que irá matá-lo. 


Apesar de não acatar, quando Gorlois volta de sua viagem, ele mesmo oferece levá-la da próxima vez, pois esta provavelmente será a última reunião do Grande Rei. E é nesse meio tempo que ela recebe uma visão de Gorlois, mas ele está ferido, e então ela sabe que esse é um presságio da morte dele, e passa a sempre ver uma sombra escura que o persegue, aguardando. 

Após dias de viagem, eles chegam ao lugar de descanso do rei, e indo para a primeira missa, Igraine acha que vê Uther, mas na verdade, conhece Lot de Orkney, um rei menor que almeja com unhas e dentes o grande trono. E então, o vê. Um homem alto, com corpo de guerreiro, uma juba loira e olhos azuis, com cerca de trinta anos. E este é Uther Pendragon, um líder guerreiro que conquista a lealdade de muitos por sua humildade e por tratar todos como iguais. (Vou dar uma acelerada aqui porque esse livro realmente tem muita coisa e eu espero que você leia para entender os pormenores). 

Uma noite, Igraine tem um sonho que o Merlin havia alertado que ela teria, e que quando acontecesse, ela enxergaria as coisas de outra maneira. Em um lugar diferente, em uma época diferente, ela vê Uther, e eles conversam e declaram seu amor eterno um pelo outro, e então ela fica consciente de que eles são almas companheiras, destinadas a se encontrar em encarnações futuras. Daí fica bem mais fácil que ela aceite sua missão, apesar de ainda manter certo receio por causa de Gorlois. Uther também tem o sonho, e passa a ser completamente obcecado por Igraine, cobiçando, pela primeira vez, ter uma esposa e ser somente dela para sempre. Quando o Grande Rei finalmente encontra seu fim, os regentes menores passam dias em discussões intermináveis para eleger o próximo. Quando a maioria decide por Uther, Lot de Orkney declara não ter intenção de jurar lealdade à esse rei, e com a quebra de alianças, a Bretanha ficará muito mais vulnerável à invasão dos Bretões. 

Enquanto as pequenas interações entre os dois acontecem, Gorlois percebe e começa a achar que a esposa o está traindo, e passa a ser um homem acusador, paranóico e agressivo, destruindo todos os bons sentimentos que Igraine nutria por ele. Quando os flagra em uma interação mais que suspeita, Gorlois chega ao seu limite, recolhendo suas tropas e levando Igraine embora, também desfazendo sua aliança com o novo Grande Rei, enquanto a terra é atacada. Ao voltarem para Tintagel, o duque expressa sua intenção de entrar em guerra com Uther, e se necessário, executá-lo, pela defesa de sua reputação. Ele está mais frustrado que nunca por não conseguir reafirmar sua masculinidade engravidando Igraine, então a encarcera no castelo, enquanto vai à batalha, pretendendo usar o frio e o desconhecimento do terreno como vantagem. Durante meses, Igraine dá voltas no castelo, sob o escrutínio do rígido padre de Gorlois, que não aceita a mulher pagã e das ilhas mágicas que ela é. Um dia ela tem uma visão de Uther dizendo que irá encontrá-la em uma certa data, e que ela deve esperá-lo. E quando o clima gélido se encontra no ápice, uma mascate chega ao castelo pedindo abrigo. Sendo a única fonte de notícias externas, ela conta atualizações sobre o conflito que se aproxima, sobre as posições de Gorlois  e que as tropas de Uther se encontram próximas da região. Temendo pela vida de seu amado de outras vidas, Igraine se esforça ao máximo para despertar sua visão. Primeiro ela tenta pedir a ajuda de Viviane, que parece tê-la abandonado. No entanto, quando desperta a Visão, ela vê com horror, que a irmã está dando a luz à outro filho (provavelmente proveniente do último festival de fertilidade), já com quase quarenta anos, sendo um risco para ela. A mãe delas mesmo morreu no parto de Morgause quando era ainda mais jovem do que Viviane é agora. A Senhora de Avalon consegue ver sua irmã a olhando, mas a conexão se parte. Mais tarde, tentando novamente, Igraine evoca a ideia de Gorlois, para poder vê-lo. Encontrando-o, ela ouve o planejamento de emboscar o acampamento de Uther, e matá-lo enquanto ainda dormem. Eles estão vulnerabilizados pelas intempéries. Sobressaltando-se, ela insiste, já perdendo as forças, e manda seu pensamento para Uther. Ela os vê fracos, pálidos, e faz sua voz ser ouvida por Uther, avisando-o da emboscada de Gorlois, e para eles fugirem antes que aconteça. E depois ela se perde na escuridão, sem saber como as coisas se sucedem. Fica doente por dias, oscilando entre a vida e a morte, por ter usado poder demais sem conhecimento. Quando acorda, promete que se Uther sobreviver, nunca mais praticará magia, e irá se dedicar ao deus cristão. Dias depois, o castelo se alvoroça com a aparente chegada de Gorlois, que trás o Merlin com ele. No entanto, ao chegar ao quarto do casal, Igraine descobre que o homem se trata de Uther, que foi mascarado por uma ilusão de Merlin para enganar os outros. Ele conta que devido ao aviso dela, eles conseguiram se preparar, e ele mesmo decepou três dedos da mão de Gorlois, antes que este fugisse como o covarde que é. Finalmente juntos, Igraine e Uther dividem o leito, e de certa forma já sabemos que aquela noite gerará o novo Grande Rei da Bretanha. No entanto, horas depois, os soldados de Gorlois chegam, trazendo seu corpo morto (muito provavelmente em decorrência dos ferimentos). Apesar de tentarem travar uma batalha em seu nome, tudo é rapidamente evitado pois Uther é o Grande Rei, e declara que estava ali justamente para destituir Gorlois do título e da propriedade, pela falta de apoio à coroa, e não há mais nada a ser dito. E agora, ninguém poderá questionar o fato de ele tomar sua mulher como a Grande Rainha. 


Com o fim do arco, Morgana retoma a narração, contando que sua memória mais antiga é a do casamento de sua mãe com Uther. E pouco tempo depois seu irmão Gwydion nasceu. Mas ela só viveu com ele durante seis anos, enquanto ele a seguia para cima e para baixo, pois quando sua mãe estava com seu amado, mal lembrava da existência dos filhos, fazendo com que Morgana fosse quase uma mãe para o mais novo.

 Há muitas dúvidas quanto à legitimidade de Gwydion, pois este foi gerado quando Igraine ainda era esposa de Gorlois, além de ter nascido prematuro, causando grandes suposições de que ele seria filho do falecido duque. No entanto, apenas de olhar para ele, se fazia óbvia a genética de Uther. 

Devido aos constantes “incidentes” que acontecem na infância do menino, narrados por Viviane, e que despertam desconfianças da mesma de serem atentados à vida do futuro rei (possivelmente vindos de Morgause, que aos quinze anos se casou com Lot de Orkney e já tinha alguns filhos, que seriam indicados para serem o Grande Rei se Uther não tivesse nenhum herdeiro legítimo), ela orienta o cunhado a mandá-lo para que seja criado longe deles, por sua segurança, mas não aceita enviá-lo para Avalon, e o manda para ficar com Heitor, seu vassalo, nas terras do norte. E como Uther queria que ele fosse criado como cristão, este foi rebatizado como Artur. 

Viviane, após descobrir que Morgana parece possuir um potencial mágico imenso, também solicita levá-la para a Ilha Sagrada para torná-la uma sacerdotisa da Deusa. Apesar de não querer destituir sua esposa dos dois filhos, ele aceita, pois Morgana nunca se encaixou entre os seus, parecendo mais uma habitante do mundo das fadas. 

Então ela é levada para Avalon, para a dura vida de sacerdotisa da Deusa, onde abre mão dos desejos próprios e se entrega por inteiro à divindade.  


Anos depois, ao atingir a maioridade e ter se formado por completo como sacerdotisa, recebendo a marca da estrela azul na testa que as identifica, Morgana recebe a função, dada por Viviane, de receber seu filho mais novo, Galahad, filho do Rei da Bretanha Menor, que vêm visitá-la. Galahad e Morgana, como primos, compartilharam a infância juntos, nos primeiros anos dela em Avalon e antes que ele fosse mandado para ser criado na corte de seu pai. Viviane teve muitos filhos dos quais não era próxima, pois era o destino que ela cumprisse seu papel para com a Deusa, e desse a luz quando esta quisesse, e nenhum deles foi escolhido para permanecer na ilha. 


Quando Galahad chega, um jovem belo, forte e bondoso, Morgana fica desestabilizada. Pela primeira vez, ela quis ser bonita, e não a cópia de Viviane que ela é, em vez de parecer sua mãe, e quis não ser da Deusa. Pelo passado e pela maturidade do poder, Galahad, que declara que na corte de seu pai o renomearam como Lancelote, também desenvolve sentimentos pela prima. Com uma demonstração de amor contida, eles passam a tarde juntos. No entanto, quando acordam, e começam a volta para os alojamentos das sacerdotisas, eles encontram uma menina, pequena, com a pele alva, com cabelos ruivos, deslumbrante e completamente perdida. Ela chora, com medo, totalmente confusa, dentro de um pequeno lago. Quando os vê, se assusta com Morgana, que como dizem, parece do povo das fadas. Questionando-a sobre o motivo de estar ali, eles descobrem que ela estava em um convento, na Ilha dos Padres, e por algum motivo desconhecido, a Ilha Sagrada deixou que ela atravessasse a bruma, sobrepondo-se ao outro lugar e engolindo ela para aquele mundo. A menina se chama Gwenhwyfar (sim, mais conhecida como Guinevere). Morgana odeia como Lancelote automaticamente a esquece, parecendo totalmente encantado pela menina, que diz que a sacerdotisa é feia como uma criatura mágica. Ao tirá-lo do lago, como um grande salvador, Lancelote a carrega enquanto uma Morgana irada os guia pelo caminho para mandar a menina de volta. Quando ela parte, o garoto ainda repreende a prima pela secura que assustou a garota, e Morgana decide esquecê-lo, ela nunca poderia pertencer à ela mesmo. 


Pouco depois, é avisado a Viviane que Uther Pendragon está morrendo, e os planos da preparação de Artur precisarão ser adiantados, apesar do menino ter apenas quinze anos. Como ele deve unir todos os povos, ele deve ser rei da Bretanha e de Avalon, respeitando assim a antiga fé, e provando-se digno por meio do ritual do Gamo-Rei. O ritual se trata de uma antiga prática de uma tribo, que consiste na luta entre a pessoa a ser testada e o rei dos gamos (que aparentemente é tipo um cervo), que devem batalhar até que um saia vitorioso, e se esse for o homem, ele deve se unir a sua “consorte” a Virgem Caçadora, que é uma sacerdotisa que incorpora a Deusa em seu corpo, assim propiciando a fertilidade da tribo por mais um ciclo. 

Com o envelhecimento de Viviane, que já se encontra no estado de Anciã, ela vê que a única pessoa capaz de sucedê-la é Morgana, e essa é escolhida para ser entregue aos caprichos da Deusa para a execução do ritual. Quando a data chega, a jovem é preparada, fisicamente e espiritualmente, canalizando seu poder no apoio ao escolhido, que luta bravamente e vence, sendo coroado com a galhada do Gamo-Rei. Após a ceia da festividade, eles são colocados juntos para se unirem no leito conjugal, enquanto todos os outros membros da tribo fazem o mesmo, aproveitando da magia para gerar seus novos fortes guerreiros. No dia seguinte, lembrando pouquíssimas coisas, após voltarem ao controle dos próprios corpos, enquanto conversam descontraidamente, eles enfim percebem. Seriam eles os irmãos que não se veem há tantos anos? Como poderiam Merlin e Viviane terem omitido aquilo? Apesar do horror que ambos sentem perante à descoberta, com os recém adquiridos sentimentos de amantes, juntamente com o antigo amor fraterno e materno, eles se relacionam novamente. Um ato que futuramente gerará muito arrependimento. 


Depois do grande ritual, Artur retorna com Merlin para encontrar Uther antes que o rei morra. E Morgana retorna para a Ilha Sagrada. Completamente indignada com a traição de Viviane, ela decide confrontá-la, mas é interrompida e conhece um músico, druída, que Taliesin treina para que o suceda como Merlin da Bretanha. 

Morgana recebe a missão de confeccionar uma bainha mágica que será dada para Artur junto com uma espada igualmente enfeitiçada da Ilha de Avalon, como espólio por este jurar lealdade à ilha. Quando a finaliza, embutindo-a com o poder de proteger Artur das feridas de batalha, impedindo que ele seja morto, uma cerimônia é feita, onde o garoto promete sempre levar Avalon em consideração, respeitando a antiga religião e assim sendo o rei dos dois mundos. A espada dada a ele é aquela que conhecemos como Excalibur.

 Após, as mulheres viajam para a coroação de Artur no reino mortal. Ele ainda não seria tão prontamente coroado, mas Uther não resistiu à batalha e acabou falecendo. Em um ataque saxão durante seu funeral, quando solicitado que trouxesse uma espada, Artur encontra uma fincada numa pedra e a retira, trazendo-a para seu irmão de criação, que completamente embasbacado, põe-se de joelhos perante ele. Assim, o Merlin anuncia que este é o herdeiro do trono, por ser digno de retirar da pedra a espada da profecia. Foi extremamente oportuno que ele o fizesse, pois assim garantia seu direito ao trono sob o olhar dos homens comuns (já que ter o trono de Avalon não só não significa nada para eles como é até um ponto negativo). E então lhe é revelado ser filho de Uther Pendragon (que por algum motivo ele esqueceu apesar de já ter seis anos quando foi mandado para longe), e apesar de ser tão jovem, ele é coroado Grande Rei da Bretanha. Em sua coroação, Morgana revê Igraine (que devido ao luto irá se refugiar em um convento) após tantos anos, e sua tia Morgause, que além de rainha, já possui quatro filhos (que gostaria muito que sentassem no grande trono). Diferente da mãe de Morgana, que foi totalmente convertida ao cristianismo, Morgause é muito mais acolhedora e demonstra sua permanência na fé da Deusa (além de ser uma mulher questionável). Após os momentos de desconforto, vendo sua antiga paixão, Lancelote, e sua talvez nova paixão, seu próprio irmão, Artur, Morgana volta para Avalon, descobrindo estar grávida como resultado do ritual. Apesar de querer acabar com o fruto de seu pecado, ela é impedida pois é a vontade da Deusa que essa criança nasça. Depois de apavorar-se com o surgimento do que realmente é o povo das fadas, que gostariam de tomar seu filho para eles, Morgana decide que não irá mais seguir o destino que querem que siga e nem se submeter mais as ordens de Viviane, e o livro termina com ela indo embora de Avalon, para refugiar-se por um tempo no castelo de sua tia Morgause que irá acolhê-la. 


Apesar de conhecer coisas sobre o mito de Artur, eu nunca havia lido nenhuma de suas adaptações e particularmente me surpreendi com o quanto gostei, principalmente do interessantíssimo manejo da autora. Estou muito empolgada para ler os próximos dois livros e vir aqui contar sobre para vocês. Espero que tenham ficado interessados. Apesar de não possuir uma fonte certa e nem nenhuma verdade absoluta, Marion passou quase toda sua vida escrevendo sobre as lendas arturianas, tendo cerca de uma dezena de livros sobre o assunto. Também espero que você retorne para que continuemos "As Brumas de Avalon" e possamos ver como esta história irá terminar. Eu fico por aqui e te espero na semana que vem, caro leitor. Se gostou, deixe sua curtida e faça um comentário. Isso me incentiva muito a continuar. 


Adeus, Querido leitor. 


Com amor, Ana J. Carvalho.



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