
O amor em tempos de guerra em Promessas Cruéis, de Rebecca Ross.
- Ana Julia Carvalho
- 14 de jan.
- 11 min de leitura
Para ter total compreensão da resenha a seguir, caro leitor, é necessário que você tenha lido minha postagem anterior, sobre o livro Divinos Rivais. Caso não tenha lido, o que você está fazendo aqui? Vá lá imediatamente e depois volte. Não quero ninguém reclamando que recebeu spoilers sobre a história. Mas enfim, voltemos ao que interessa.
Na semana passada, eu lhes contei o que aconteceu no primeiro livro da duologia Divinos Rivais, de Rebecca Ross. E agora, vamos falar sobre o segundo e último livro, Promessas Cruéis, publicado em 2024.
Começamos novamente com Iris E. Winnow, nossa protagonista, apenas alguns dias após a ocupação de Avalon Bluff pelo exército do deus Dacre Inferior. No final do primeiro livro, temos a grande revelação de que Iris foi evacuada da vila por seu irmão Forest, que até então estava desaparecido. E no caos do momento, Forest salvou apenas a irmã, deixando Roman para trás, completamente vulnerável ao ataque. Agora, ela está de volta a Oath, escrevendo para a Tribuna, com sua amiga Attie, enquanto tenta de tudo para localizar Roman, além de ter de se acostumar com a volta de seu irmão, e assimilar as mudanças que a guerra causou nele. Além de estar sendo perturbada pelo pai de Roman, que subitamente apareceu, cobrando o paradeiro do filho, desprezando a existência de Iris, chamando-a de interesseira e oferecendo uma grande quantia em dinheiro (que obviamente ela não aceita), para desfazer o casamento deles, que foi perpetuado no dia anterior ao ataque da vila em que estavam.
Sem saber se seu amado sequer está vivo, mas supondo que ele agora pode estar lutando pelo exército de Dacre (algo que seu irmão a informou), Iris sente que precisa reestabelecer a conexão mágica que existia entre os dois, e que foi quebrada com a perda de sua máquina de escrever na batalha de Avalon Bluff. Portanto, esperando que Roman ainda esteja com a dele, Iris decide roubar a terceira máquina de escrever, que faz parte de um trio com a tal ligação mágica, e que está no museu de Oath. Apenas por meio delas as cartas de um podem chegar até o outro. Após a missão bem sucedida, ela volta a escrever cartas, rezando para que cheguem a Roman. E elas chegam a alguém. E esse alguém, Iris consegue comprovar, é Roman, mas um Roman que não se lembra de mais nada que aconteceu em sua vida. No entanto, só de saber que ele está vivo, Iris se acalma e começa a traçar um plano. Mas, quando ela chega para trabalhar na Tribuna, e vê que toda a redação está em silêncio e olhando para ela, seu coração bate em falso. Sua chefe segura um jornal, da Gazeta de Oath. Uma matéria na primeira página, contando o lado de Dacre na história da guerra, escrito por Roman C. Kitt.
Roman acordou em um mundo diferente. Estava nu, em uma maca, em uma sala vazia com paredes de mármore. Não sabia seu nome e nem como havia parado ali. Só sabia que deveria estar morto. Será esse o pós-vida?
Ele recebe comida, vestes de correspondente de guerra, mas com uma inscrição dizendo que trabalha para Dacre, e a instrução de não fazer perguntas. Dacre, que ele conhece logo em seguida, encontrou Roman quando este estava a beira da morte, sufocando com o gás que foi lançado contra o povo de Avalon Bluff, e vendo que o mesmo usava um uniforme de correspondente de guerra, e que possuía uma alma forte, decidiu salvá-lo, para poder manipular a opinião do público a seu favor. Este é o método do deus. Ele salva os feridos, os cura, apaga suas lembranças, e pede lealdade eterna em troca.
Imagine Roman, tendo de se adaptar ao fato de estar vivo, sem lembrar nada de sua vida, mas tendo sonhos extremamente vívidos que podem significar alguma coisa, e de repente, ele começa a receber bilhetes, pela porta do guarda-roupa do quarto no qual está hospedado, enquanto trabalha com sua máquina de escrever, na produção de artigos para Dacre. Uma batalha interna se inicia. Quem ela é? Ele não sabe. Pode confiar nela? Ele também não tem certeza. Portanto, decide guardar os bilhetes, para que uma hora possa mostrar à seu chefe, enquanto a responde e estranhamente começa a se afeiçoar a mulher que se identifica como Elizabeth. Afinal, ela é o mais próximo que ele tem de um amigo no caos deste mundo.
As coisas mudam quando a Tribuna pede que Iris e Attie voltem para perto da nova linha de frente, em busca de informações atualizadas para o povo de Oath sobre o andamento do conflito. Apesar de seu irmão tentar proibi-la de ir, Iris já sabia que uma hora seria necessário, e ela sabe que quanto mais perto do conflito, e portanto de Dacre, mais perto ela estará de Roman.
Após passarem um tempo em Avalon Bluff, o exército de Dacre volta a se mover, rumando para o leste. Eles dominam outra cidade, subjugando o pelotão de Enva que defendia a região. Estabelecendo-se lá, Roman descobre que após Enva ter fugido do plano inferior, o deus fechou todas as passagens para o mesmo, construindo apenas cinco chaves que podem abrir portais em qualquer lugar para acessá-lo. E além de Dacre, apenas seus soldados mais confiáveis possuem esses acessos.
No decorrer da obra, descobrimos um pouco mais sobre a história dos deuses, e a motivação para tudo isso. Após levar Enva para o mundo inferior, sob a ameaça de que se ela não viesse, a destruição se espalharia pela terra, Dacre e Enva se casam. Ele era apaixonado pela música dela, esse sendo seu poder, pois através de suas melodias os mortos eram guiados para seu descanso final. Utilizando disso, e após diversos testes, Enva toca, durante um ano, uma música para dormir, para Dacre e toda sua corte, fazendo-os cair em um sono profundo que perdurou por séculos, e enquanto eles jaziam ao seu redor, ela achou uma saída e fugiu daquele plano, sabendo que um dia enfrentaria a fúria de seu marido quando este acordasse.
Para chegar ao destino de acolhimento, Iris e Attie são apresentadas a Tobias Bexley, um carteiro que viaja o país para entregar os documentos da Tribuna, junto de seu conversível. Juntos, os três vão a River Down, hospedar-se na casa da irmã de Marisol (Lucy), sua amiga e dona da pousada de Avalon Bluff. Lá, elas são acolhidas com carinho, enquanto Tobias se despede para continuar seu trabalho de carteiro, apesar de retornar quase todos os dias para pegar os materiais produzidos por elas. Vemos um tom de flerte nascer entre ele e Attie. Não querendo arriscar a mesma situação que aconteceu anteriormente, a chefe das moças, Helena, os mandou para um lugar um pouco mais distante da linha de frente, e elas se mantêm informadas por meio das poucas cartas enviadas por Keegan, a esposa de Marisol, que possui uma alta patente no exército de Enva e está lutando no fronte.
Enquanto Iris e Roman vão se aproximando por meio da correspondência, ele começa a ter sonhos frequentes com Iris E. Winnow (que ele não sabe ser sua correspondente, já que ela se identifica como Elizabeth), uma (aparentemente) antiga rival dele de quando trabalhava na Gazeta de Oath, e quase não consegue disfarçar seu espanto quando Dacre pergunta sobre ela. Roman não quer contar que tem sonhado com lembranças, com medo de que o deus as apagasse novamente para domá-lo, e desespera-se, falando o mínimo possível sobre a garota. Afinal, ele não sabe quais são as intenções do deus em relação a ela, mas sente que precisa protegê-la.
Instalados em Merrow, o exército de Dacre planeja a ocupação de Hawk Shire, o local para onde o restante do exército de Enva se recolheu após perderem a batalha de Avalon Bluff. Roman descobre que eles planejam invadir a cidade por meio das portas do submundo, surpreendendo os soldados despreparados. Além de descobrir uma certa parceria entre seu pai e o deus, criada pelo fornecimento de armas para a guerra, e em troca, o recebimento de imunidade pela família Kitt e a garantia de uma posição de poder no novo governo de Dacre. Também descobre, por meio de investigação amadora, que o deus está re-escavando as linhas de ley (caminhos de magia) presentes no subsolo,e que foram soterradas enquanto seu mestre dormia, dando uma explicação para os pequenos tremores que Iris vinha sentindo embaixo da terra.
Em seu segundo acolhimento, provido por um gentil senhor na cidade de Bitteryne, Iris recebe a carta mais importante que poderia ter de Roman. Na mensagem, ele alerta que o exército de Dacre está a três dias de Hawk Shire, e que se ela estiver por perto, deve fugir para o mais longe possível, mas não para Oath, pois esse será o próximo lugar para qual irão. Compartilhando a mensagem com seus amigos, e apesar de não ter a permissão para levar as garotas além da cidade de Winthrop, Tobias se propõe a levá-las para Hawk Shire e avisar o exército sobre o massacre iminente.
Para testar sua lealdade, Dacre leva Roman para a cidade de Lorindela, capital do submundo, onde o coloca como soldado, para lutar entre os outros, e não ficar protegido como correspondente.
Chegando a Hawk Shire, e encontrando Keegan, que misteriosamente desceu de patente, Iris os alerta, mostrando a mensagem de Roman e imediatamente uma evacuação é iniciada. Apesar de ser orientada a fugir, Iris com sua eterna teimosia, fica junto do exército, auxiliando até que o último caminhão saia com todos os soldados feridos, quando ela finalmente sobe no conversível de Tobias para evacuar por um atalho. No entanto, a poucos metros da cidade, o pneu do carro fura, e eles não conseguem achar uma das ferramentas necessárias para trocá-lo. Iris deixa Tobias e Attie terem um momento sozinhos enquanto corre de volta até a cidade em busca de uma oficina. Ao não achar nada na primeira, ela se afasta mais da saída da cidade, e quando está dentro de uma garagem, sente um leve tremor, e ouve quando uma porta se abre e os soldados começam a entrar pela casa. Iris corre para o segundo andar, procurando uma janela por onde possa fugir.
Roman se desespera com a possibilidade de ter que lutar, e percebendo isso, seu comandante o manda revistar o andar superior da casa, para se livrar dele. Em um dos quartos ele ouve um barulho, e abrindo um guarda-roupas, ele se depara com ninguém menos que Iris E. Winnow, a garota que tanto aparece em seus sonhos, e que parecia significar muito para ele. E após um momento de confissão, Roman se lembra de tudo, percebendo não apenas que Iris é sua esposa como também é a Elizabeth com quem ele vinha conversando. Prometendo reencontrá-la algum dia, ele a ajuda fugir pela janela, mas Iris é avistada, e precisa correr pelo campo até o carro em meio a uma saraivada de balas. Alcançando-os, ela descobre que seus amigos já conseguiram consertar o automóvel, no qual são perseguidos pelos cães infernais de Dacre, mas apesar da grande dificuldade, concretizam a fuga com sucesso. Eles voltam para River Down, onde o exército se abrigou temporariamente.
Dacre tem certeza de que alguém o traiu, mas não sabe quem. Ele e seus homens rumam para o túmulo de Luz Celeste, a deusa adormecida, para que ele possa executá-la e roubar seu poder, mas quando chegam lá, alguém já o fez, enfurecendo-o mais ainda.
Voltando para Oath, Iris descobre muitas mudanças. Sua amiga Prindle tem feito contínuas visitas a seu irmão Forest e eles parecem estar desenvolvendo algo, agora a cidade de Oath está sob o escrutínio do Cemitério, um grupo radical que é contra todos os deuses, e o Chanceler de Oath não permite que o exército de Enva entre na cidade, para evitar uma guerra civil.
Cobiçando trazer Iris para seu lado, Dacre envia Roman para casa no intuito de que ele convença sua antiga colega de trabalho a se juntar à causa. Ele a encontra em um café e entrega a mensagem de seu senhor, e secretamente marca um encontro com Iris na mansão. Os dois conseguem ter uma noite romântica juntos, às escondidas, que acaba assim que o dia começa a raiar. Parte meu coração vê-los se separarem novamente. Mas ele consegue confidenciar para ela o mapa que ele achou das linhas de ley da cidade, marcando os pontos mágicos espalhados.
Devido às convocações musicais de Enva, a música havia sido proibida em Oath, mas Attie escondeu seu tão amado violino, e agora ele faz parte do plano de Iris. Sua amiga começa a ensaiar a canção de Alzane, a mesma tocada por Enva para colocar os deuses para dormir, e que deve servir a esse propósito novamente.
Confrontado pelo tenente Shane, que descobriu que ele era o traidor, Roman é chantageado e obrigado a fazer tudo que o soldado mandasse. Ele é mandado para entregar uma mensagem a um homem misterioso em um evento do Chanceler de Oath, em um momento específico da noite. Iris é convidada para o mesmo evento como jornalista, pronta para responder a proposta que Dacre lhe fez.
Lá, distraído pela presença de Iris, Roman não consegue entregar a mensagem a tempo (ela dizia que uma explosão não seria o suficiente, e que teriam que lhe cortar a cabeça), e quando Dacre sobe no palco, uma explosão é detonada embaixo dele, matando vários convidados e deixando muitos outros feridos. Apesar de ser um atentado contra o deus, ele não saiu com nenhum arranhão.
Protegido pelo segurança de seu pai, Roman é arrastado aos gritos para fora da festa, preocupado com Iris, que ele perdeu de vista na detonação. Voltando para sua casa, Dacre tentou descobrir quem entre os seus o traiu, mas a busca não teve resultados.
Iris acordou no caos do evento. Sobreviveu, pois o homem com quem conversava acabou retendo todo o impacto da explosão. Em pânico, ela foge, mas precisa se esconder, pois o toque de recolher do Cemitério já havia iniciado. Refugiando-se no Museu de Oath, antes que as portas mágicas do mesmo fechassem, ela é acolhida por uma estranha segurança que cuida de suas feridas e lhe dá um lugar para descansar. Em seus sonhos, ela vê que a segurança na verdade é a deusa Enva, e ela a orienta a pegar uma espada histórica que era exibida pela instituição, e continha o poder de matar deuses (cobrando um pequeno pagamento em sangue daquele que a empunhar). No dia seguinte, chamada por Dacre até a casa de Roman, Iris é obrigada a escrever um aviso para o povo de Oath, que ou se renderia ao deus, ou morreria nas explosões que seriam despachadas por toda a cidade, ao meio dia do dia seguinte. Correndo para a gráfica, ela os convence a imprimir a mensagem nos dois maiores jornais de Oath, mas secretamente adiciona uma lista de prédios mágicos nos quais as pessoas devem se refugiar, e que provavelmente resistirão ao bombardeio.
Após segui-la com o pretexto de garantir sua segurança, e passar um último tempo com Iris, Dacre descobre que Roman era o informante, e o manda para o submundo, preso, para sofrer uma terrível morte.
No dia seguinte, após lerem os jornais, toda a população de Oath se acumula na rua, dominados pelo desespero, indo ou se render, ou se abrigar nos locais mágicos. Iris deveria encontrar Roman, mas os planos acabam mudando. Ela precisa encontrar um lugar para abrir uma porta para o submundo com Attie, após ter conseguido uma chave com um dos soldados de Dacre. Ela se separa de seu irmão e Prindle, que vão atrás da família da moça. Fugindo com a família de Attie, eles custam encontrar um lugar que já não estivesse lotado, mas conseguem se abrigar no café. Attie vai atrás de Forest e Tobias, e retorna apenas com o carteiro e sua família, minutos antes das bombas caírem.
Abrindo a passagem para o mundo inferior, Attie e Iris entram em uma batalha contra Dacre e com a ajuda de Enva conseguem derrotá-lo. E sem seu deus, o plano começa a desmoronar. Fugindo enquanto podem, Iris ressurge para ver que a nova ameaça é o grupo Cemitério, que busca vingança contra o exército de Dacre.
Roman é salvo do mundo inferior pelo tenente Shane, e depois salvo do fuzilamento por Iris e Keegan, que comprovam que ele os estava ajudando o tempo todo.
Iris é devastada pelas perdas causadas pelo bombardeio, e apenas se consola com a constatação de que tudo acabou. Agora não haverá mais mortes, agora ela pode viver com Roman, agora a vida poderá se estabilizar e um dia, lentamente, as feridas irão se curar.
Perdão por me estender demais dessa vez, caro leitor, mas este livro é um pouco maior que o anterior e temos acontecimentos demais se sucedendo. Espero que você se interesse por lê-lo e que tenha a oportunidade de, assim como eu, ser preenchido pela esperança no amor de Roman e Iris. Não sei dizer qual dos dois livros eu prefiro, mas acredito que eles se complementam muito bem, não perdendo a qualidade de um para o outro. Apesar de abordar assuntos muito sérios e lamentáveis, ele consegue seguir com uma fluidez muito agradável que te prende até o fim. E ver o final feliz de Roman e Iris, apesar desse parecer, certas vezes, muito distante, deixa uma sensação de conforto, como um gosto bom na boca. Pretendo ler mais produções da autora se tiver oportunidade.
E com isso encerro minha resenha da semana, espero que fique bem e que retorne na semana que vem para o próximo conteúdo.
Adeus, Querido leitor.
Com amor, Ana J. Carvalho.




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