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Uma boa forma de desviar do padrão, em O Colecionador de Peles, de Jeffery Deaver

  • Foto do escritor: Ana Julia Carvalho
    Ana Julia Carvalho
  • 13 de mai.
  • 4 min de leitura

É possível que já tenha assistido, caro leitor, o filme “O Colecionador de Ossos”, de 1999, interpretado por Angelina Jolie no papel de Amelia Sachs e Denzel Washington no papel de Lincoln Rhyme. Caso sim, irá se interessar em saber que o livro do qual lhe falarei no momento, é uma sequência dessa obra. E eu disse corretamente, UMA sequência e não A sequência, pois enquanto “O Colecionador de Ossos” é o primeiro livro de nosso inteligentíssimo investigador Lincoln Rhyme, “O Colecionador de Peles”, de 2014, é o 11° livro da série. (Sim, eu leio livros não respeitando suas sequências). No entanto, diferente do que acredito que sejam todos os outros nove livros anteriores, esses dois possuem pontos que os interligam.


Em pleno os anos 2000, um novo serial killer (um assassino que mata em série) surge para aterrorizar a vida dos moradores de Nova York, nos Estados Unidos. Completamente aficcionado por peles e usando do subterrâneo à seu favor, o monstro em questão, movimenta-se por túneis desativados, para subjugar pessoas, drogá-las e tatuá-las à força, marcando-as com mensagens que não parecem ter sentidos racionais. Mas o que o torna um assassino frio é o fato de que, ao violar suas peles com suas missivas, ele as intoxica com alguns dos venenos mais letais do mundo, deixando-as para morrer, dolorosamente. 

Chamando a atenção do gênio/consultor de polícia Lincoln Rhyme, que um dia fora um dos mais conceituados integrantes da polícia de Nova York, mas que foi obrigado a abandonar seu trabalho devido à uma grave lesão sofrida durante o exercimento da profissão, deixando-o tetraplégico, e de sua namorada, a detetive da unidade de crimes especiais, Amelia Sachs, é quase impossível acreditar que o assassino não será pego logo, com mentes tão excepcionais em seu encalço, no entanto, preparando-se para isso, ele faz de tudo para manter-se à altura. 


Quando a onda de assassinatos e ataques começa, com um criminoso que parece possuir habilidades quase sobrenaturais de não deixar absolutamente nenhuma pista que leve à ele, passa a ser muito árdua a tarefa de compreender porquê ele faz o que faz. E Billy Haven (sim, não é segredo quem ele é, nos é revelado desde o começo do livro) segue regras estranhas, escritas num tipo de manifesto, que não explicita sua origem, e tudo que lhe importa é a Lei da Pele. A pele é tudo, é arte, é o poder, é Deus. E ele utiliza de suas habilidades artísticas excepcionais para fazer o que mais ninguém parece capaz, em tempos quase impossíveis e está sempre à frente de seus perseguidores, recalculando suas rotas demasiadamente rápido. 

E enquanto o caçam penosamente, encontrando-o e perdendo-o, ganhando algumas vezes e fracassando em outras, Amelia e Lincoln ainda se dividem com o caso de latrocínio que aconteceu dias antes, no inesperado e suspeito falecimento do Relojoeiro, um outro serial killer com o qual Rhyme batalhou por anos até finalmente prendê-lo, na súbita decisão de Pam Willoughby, a protegida de Amelia e única vítima sobrevivente do Colecionador de Ossos, de abandonar a faculdade para ir viajar por mais de um ano com seu namorado de poucos meses que ela acredita ser sua alma gêmea, e com a aparente constatação de que o, nomeado por eles, Colecionador de Peles, está atrás deles, particularmente, colocando suas vidas em risco. 


Por baixo da trama principal, algo vil parece se mover sorrateiramente, sem que possamos identificá-lo. Os assassinatos são motivados pela tal Lei da Pele, mas e se não fosse só isso? Traumas, abusos e um passado obscuro parecem ser acobertados por mais de um personagem e, talvez, tudo isso tenha acontecido para mover algo muito maior, que pode mudar o futuro de toda a nação.


O livro dá-nos uma sensação de finalidade e certeza, em certo momento, quando parece frustrar os planos dos “vilões” da história, mas então nos traz uma completa reviravolta, que revela algo totalmente inesperado, desestabilizando as ideias preconcebidas durante o romance. Quem é quem? Podemos confiar nos outros? Quais são as verdadeiras motivações de certas pessoas? O que irá acontecer com nossos protagonistas? 


Devo revelar que consegui descobrir uma das revelações finais desde o começo do livro, mas é que leio tantos livros deste tipo, que já estou acostumada a pegar certas coisas muito rapidamente e a reparar em outras que não parecem ter importância alguma, além de reconhecer padrões demais entre uma história e outra.


Gostaria de poder te explicar mais, caro leitor, mas no geral, romances de suspense policial são histórias bem simples. Normalmente temos um criminoso, temos os crimes que ele está cometendo e temos alguém tentando detê-lo. Às vezes encontra-se uma ou outra subtrama, mas a estrutura mantém-se, fazendo com que a variável seja apenas de local, personagens e modus operandi dos crimes. Por acaso, meu Trabalho de Conclusão de Curso é sobre isso, sobre como a padronização da estrutura de romances de suspense policial pode produzir histórias muito parecidas, com pouca originalidade e muita previsibilidade, que podem diminuir a qualidade da experiência do leitor ao lê-las. Caso se interesse, talvez eu o disponibilize aqui futuramente. Veremos.


Espero que tenha se interessado pelo livro e queira lê-lo. Ele me surpreendeu de maneiras positivas ao desviar um pouco do que vemos sempre. E se quiser uma série de livros para começar a ler suspenses policiais, acredito que a saga de Lincoln Rhyme pode ser uma aposta segura, com satisfação garantida. 


Se gostou, caro leitor, deixe uma curtida e um comentário. Inscreva-se na minha correspondência para sempre ser avisado quando um novo post surgir. E tome cuidado com os porões escuros, nunca se sabe o que podemos encontrar lá.


Adeus, querido leitor. 


Com amor, A. J. Carvalho.


 
 
 

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