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O que será do Gamo-Rei quando o jovem Gamo surgir?, Em O Prisioneiro no Carvalho, de Marion Zimmer Bradley

Foto do escritor: Ana Julia Carvalho
Ana Julia Carvalho
10 de jun.
6 min de leitura

"Sir Mordred" (Gwydion), por H. J. Ford (1902)
"Sir Mordred" (Gwydion), por H. J. Ford (1902)

Eu pensei muito nisso durante a leitura de todos os quatro livros, Caro leitor, e agora, eu até sei dizer o que aconteceu com o Gamo-Rei, já com seu reino, eu não tenho tanta certeza. E essa é uma profecia que, após ser feita, é repetida constantemente, com um ar de preocupação, apesar de, ao final, não possuir o tanto de relevância que parecia ter. O que me faz pensar, será que todas essas grandes maquinações importavam mesmo, ou igualmente levaram a um fim que já não tinha mais salvação? 


Finalmente chegamos no quarto e último livro da saga As Brumas de Avalon, O Prisioneiro no Carvalho, de Marion Zimmer Bradley, que dedicou boa parte de sua 

carreira literária falando sobre a lenda do Rei Artur. Caso esteja acompanhando, Caro leitor, eu fiz a resenha dos três livros anteriores, e caso não, você pode lê-los por meio destes links:



Segundo livro, A Grande Rainha:


Terceiro livro, O Gamo-Rei:


É interessante como tudo que veio crescendo durante os três primeiros livros parece ruir completamente nesse último, fazendo parecer que tudo foi em vão e que o final seria o mesmo em todos os cenários. Parece até que nada “adiantou”, e de certa forma foi assim mesmo, tirando o fato de que uma questão que tanto incomodou nossa narradora, a própria Morgana, finalmente comprovou-se, provando que toda sua luta e sofrimentos e tragédias enfrentadas foram desnecessárias, pois no final, a vontade dos deuses sempre se sobressai. 


Dessa vez, comentarei sobre o nome do livro. Apesar de o acontecimento que lhe intitula não possuir tanta relevância, ele definitivamente divide o livro entre o começo do declínio e o decreto da chegada do caos absoluto. 

  A princípio, temos a continuação da missão de Morgana, que deve, ou trazer o Rei Artur, seu irmão, de volta para os braços de Avalon, ou arranjar alguém que ocupe seu lugar e que possa restabelecer tal união. Como Artur parece ter se tornado um rei totalmente cristão, e não confiando em seu filho Gwydion, que deveria derrotá-lo, Morgana decide que a melhor escolha é Accolon, seu amante e filho de seu marido, o Rei Uriens de Gales do Norte. Com o que sobrou da antiga religião sendo ameaçada, maquinações mágicas são feitas para garantir o trono de Accolon, pois este pertencia ao cretino de seu irmão mais velho, Avalloch, fazendo com que, pela primeira vez, as mãos de Morgana fossem manchadas de sangue, em nome da missão de Avalon. 

Devido à passagem de décadas que Artur tinha ascendido ao trono e da falta de um herdeiro produzido pela Grande (estúpida) Rainha, os governantes declararam Galahad, o primogênito de Lancelote, como o herdeiro do trono. Ao mesmo tempo, Gwydion, a cobra, agora um homem adulto, se apresentou à corte. Apesar de não poder reconhecê-lo como filho, Artur reconheceu-o como filho de sua irmã Morgana, portanto, sendo um nobre, foi considerado digno de sentar à távola redonda. E em pleno feriado de Pentecostes, o mais importante da corte, juntamente com a consagração de Galahad, como um cavaleiro do rei, tiveram os jogos medievais. Neles, em um ato nada sutil, Gwydion desafiou Lancelote para a batalha, com o intuito de humilhá-lo (devido ao rei e à rainha parecerem sempre estar de joelhos para ele), e após derrotá-lo, pediu que o mesmo o consagrasse um cavaleiro também. E assim foi, aparentemente desmanchando a animosidade criada. 

Com o festejo, Morgana decidiu cobrar a lealdade de Artur à Ilha Sagrada, levando-os todos à uma discussão particular que acabou em uma imensa briga onde o rei se recusou a devolver a espada das insígnias sagradas, a Excalibur, de volta à Avallon, selando, assim, seu destino, evidenciando que precisaria ser deposto. Formando um planejamento, Morgana decide enganar Artur para fazê-lo se perder no País das Fadas e ser derrotado em batalha por Accolon, que pegaria sua espada e seu trono, no entanto, tudo acaba de uma maneira caótica, com o segundo filho do Rei Uriens sendo morto e Artur ferido, recolhendo-se para a recuperação e declarando guerra definitiva contra Morgana. Com sua vida em Gales do Norte acabada e estando desolada pela perda de seu amante, Morgana encontra seu irmão, rouba-lhe (ou apenas restitui, já que foi ela que a teceu e a mesma pertencia a Avallon) a bainha da espada dele, que fazia com que seu portador nunca pudesse sangrar de seus ferimentos, permanecendo vivo e protegido, e foge, sendo caçada, para a Cornualha, onde ela ainda é a governante, por herança de seu pai. Lá, ela reside, doente e abatida, esperando a morte, até que Kevin, o atual Merlin da Bretanha, vem e convence-a a finalmente voltar para a Ilha Sagrada. 

Anos de tristeza se passam até que, por meio do oráculo da Deusa, o fim de Avalon é prenunciado. Reunindo as quatro sacerdotisas mais importantes da ilha (Morgana, Raven, o oráculo, Niniane, a atual Grã-Sacerdotisa e Nimue, a filha de Lancelote), as mulheres descobrem uma traição para com a deusa, cometida por quem elas menos esperavam. Traçando outro plano, um de vingança dessa vez, mandam Nimue à corte para seduzir o traidor e trazê-lo para Avalon, para que fosse devidamente punido, sendo torturado e deixado para morrer dentro de um dos carvalhos sagrados da ilha. Todavia, com o sucesso do plano, a morte do traidor e da própria Nimue, que se envolveu demais, Morgana entra em desespero. A futura senhora de Avallon, neta de Viviane agora estava morta e mais do que nunca parecia que elas caminhavam pelas escolhas erradas. Neste momento, a segunda parte da história, o declínio final, inicia-se.

Em missão para recuperar o que lhes foi tirado, Morgana e Raven viajam para Camelot, encontram sua relíquia, agora sendo refém dos cristãos, e em uma situação transcendental, a própria Deusa usa do corpo de Morgana para manifestar-se, embora mostrasse-se diferente para cada um, e com magia, elas recuperam a taça, que, para os cristãos fervorosos, foi roubada justo quando eles viram Deus, e assim, todos os cavaleiros da távola redonda se espalham pelo mundo, em busca do que eles declararam ser o Santo Graal. 

Muitos se perdem nessa jornada e tristeza e solidão se apossam de Camelot, enquanto a guerra voltava para a costa, e Gwydion, que permaneceu, fincava lentamente suas garras na mente de Artur. Seria essa a ruína do reino, mas na verdade, foi a estratégia do traidor, feita quando os cavaleiros restantes haviam voltado, que realmente causou o rompimento do lugar. Consequências desastrosas seguiram o escândalo, finalmente separando Artur, Lancelote e Gwenhwyfar. Apesar de não ter sido imediato, o pandemônio levou à batalha entre Artur e seu oponente misterioso, que revelou-se seu próprio filho, que angariara metade de seus fiéis seguidores, apesar de sequer saber mais porquê lutava contra o pai. E quando o Gamo-Rei colocou-se cara à cara com o jovem Gamo, a profecia finalmente chegou ao fim. 


Tenho que dizer que não esperava muitas das coisas que aconteceram. Não esperava a atuação tão ativa de Morgause, irmã de Morgana e mãe adotiva de Gwydion, fazendo tantas maldades para colocar seu protegido no trono, e assim ser a rainha de toda a Bretanha, mantendo-o como um fantoche, e também não esperava o quanto ela se surpreendeu quando ele se virou contra ela, como o traidor que era. Não esperava a morte de Nimue em decorrência à sua primeira missão, nem o fim do romance entre Lancelote e Gwenhwyfar, sequer imaginava que ao final, tanto Avalon quanto Camelot partilhariam do mesmo destino, como se toda a história fosse esquecida pelo tempo, e mesmo ainda os resultados da tão esperada batalha entre pai e filho, que no fim, mal teve importância.


Não digo exatamente que adorei o livro, embora também negue que desgostei. Esta parece ser aquele tipo de história na qual se mergulha, tão profundamente quanto em um fosso, mas que quando acaba, apenas se emerge, seca-se e sai andando, apenas assumindo que é assim e assim ela aconteceu. No entanto, regozijo-me pensando que agora posso ser uma sabichona em relação a uma das versões do universo do grande Rei Artur. 


Espero que tenha se interessado pela saga e queira lê-la, Caro leitor, afinal, preciso de alguém para conversar sobre, indignando-me e me divertindo com seus muitos acontecimentos. 


Caso tenha gostado do post dessa semana, deixe uma curtida e comentário, gosto muito de interação. Se puder, assine minha correspondência, para assim ser avisado sempre que eu fizer um novo post. 


Adeus, Querido leitor


Com amor, A. J. Carvalho.   


 
 
 

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